Cineclubes são espaços sem fins lucrativos que têm o objetivo de reunir pessoas interessadas em ver e discutir cinema. Mais do que isso, visam estimular o interesse pelo cinema.

Em sua maioria, os cineclubes são – e devem ser – espaços alternativos. Alternativos quanto à programação e dinâmica das exibições. No que se refere à programação, os cineclubes costumam priorizar filmes que não pertençam ao “circuito comercial”, ou seja, que não são facilmente encontrados nos cinemas e na televisão. Dentre os principais problemas apresentados pelo “circuito comercial” estão o leque reduzido de referenciais culturais – sobretudo norte-americanos –, sua efemeridade e o direcionamento exclusivo para o lazer.

Quanto à dinâmica das exibições, diversos cineclubes promovem debates sobre os filmes. Com a participação da comunidade e de especialistas, forma-se um espaço no qual experiências e saberes são confrontados, convergem em alguns pontos, divergem em outros e são reelaborados. Um dos aspectos mais importantes dos debates é a possibilidade de se pensar individual, grupal e localmente as questões abordadas pelos filmes. Por exemplo, no dia 2 de abril, foi exibido Batismo de Sangue (2007, Brasil, direção: Helvécio Ratton)no Teatro Barracão de Foz do Iguaçu: o jornalista Aluízio Palmar certamente surpreendeu a muitos ao relatar sobre a repressão existente na cidade durante a ditadura militar brasileira (1964-1985).

Assim, os cineclubes são espaços democráticos. Facilitam o acesso à produção cinematográfica por não terem fins lucrativos, colaboram para a ampliação das referências culturais e estimulam a participação política. Cabe fortalecer a chamada democracia deliberativa, na qual o “cidadão comum” se informa, ganha visibilidade e pressiona o Estado e a opinião pública pela realização de suas reivindicações.

Há desafios pela frente. Um deles é a necessidade de superar o rótulo de espaços elitizados. Os debates têm a importância de aproximar os filmes alternativos das experiências dos sujeitos e grupos. Além disso, os cineclubes precisam assumir o desafio de apontar para o público os problemas da produção comercial.

Outra questão se refere aos direitos autorais, se seriam ou não válidos em entidades sem fins lucrativos como os cineclubes. Cabe ao Estado brasileiro a coragem de atualizar a legislação para esses casos.

Em Foz do Iguaçu, dentre outras iniciativas, a Casa do Teatro e a Casa da América Latina têm feito sessões no Teatro Barracão, o SESC mantém uma programação regular e a UNILA iniciou a montagem do seu cinedebate.

* Paulo Renato da Silva é professor de História na UNILA, em Foz do Iguaçu, PR.
Publicado no site Guatá.

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